O prefeito de Salvador, Bruno Reis (União), estima que deve publicar até março a licitação para execução das obras do teleférico do Subúrbio, cujas intervenções devem ser iniciadas no dia 2 de julho. A confirmação foi feita ao Aratu On.
À reportagem, ele indicou, ainda, que a estimativa inicial de entrega para 2029 pode ser antecipada. “Quero entregar no final de 2028”, afirmou.
O gestor também concedeu entrevista à rádio Metrópole, na qual ele apontou que a única pendência do momento é a conclusão do projeto mecânico do teleférico do Subúrbio.
Com investimentos na ordem de R$ 700 milhões, o modal vai interligar a região de Praia Grande ao metrô, em Campinas de Pirajá, e integra um conjunto de iniciativas indicados no Plano Municipal de Mobilidade (Planmob), aprovado em 2018, cujo conteúdo define planos para a mobilidade urbana soteropolitana para 50 anos.
Na visão de Bruno Reis, o teleférico do Subúrbio pode ajudar a desafogar o que ele classifica como crise do transporte por ônibus. “O que vai equilibrar os sistemas são novos modais que possam reduzir o custo e melhorar o conforto”, estimou.
O prefeito crê, também, que a união dos sistemas de transporte construídos na cidade pode transformar Salvador num case de mobilidade urbana. “Se a gente tiver o teleférico funcionando com VLT, metrô, BRT, BRS e o Stec, e tendo a integração deles funcionando de forma inteligente, teremos um dos sistemas de transporte mais modernos do mundo e, naturalmente, com uma qualidade melhor”, projetou.
Os detalhes do projeto foram publicados pelo Aratu On em outubro de 2023. A estimativa inicial era que o início da obra acontecesse em agosto deste ano, mas o processo sofreu atrasos.
Em março do ano passado, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, autorizou, concessão de garantias da União para um empréstimo de US$ 125 milhões (aproximadamente R$ 730 milhões na cotação atual) entre a Corporação Andina de Fomento (CAF) e a prefeitura de Salvador para financiar a construção do teleférico no Subúrbio Ferroviário.
A operação de crédito integra o financiamento do Programa de Inclusão Social e Territorial (PIST), que prevê investimentos em mobilidade urbana, capacitação profissional e serviços digitais. O teleférico do Subúrbio é uma das iniciativas contempladas pelo programa.
O aval da Fazenda era o último requisito necessário para a formalização do contrato de crédito entre a instituição financeira e a prefeitura. Segundo o despacho, a operação recebeu autorização da Secretaria do Tesouro Nacional e da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
O acordo para o financiamento foi aprovado pela diretoria da CAF, em 18 de julho de 2023. Na época, o presidente-executivo da instituição, Sergio Díaz-Granados, destacou que o programa beneficiará diretamente mais de 900 mil pessoas, entre moradores e turistas, ao melhorar a infraestrutura e ampliar a inclusão social na capital baiana.
De acordo com a proposta, entregue ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), quatro estações serão construídas na primeira etapa do teleférico. São elas:
1 – Praia Grande
2 – Novo Mané Dendê
3 – Escola Pirajá
4 – Campinas de Pirajá
A proposta foi apresentada pela Fundação Mário Leal Ferreira, o banco estatal alemão KfW e a Ingeniería de Sistemas de Transporte e Cables (ISTC) -Engenharia de Sistemas de Transportes e Cabos-, empresa colombiana especializada no desenvolvimento de sistemas de transporte a cabo.
A primeira estação ficará sobre o atual terreno da garagem da Plataforma, uma das empresas que compõem o consórcio Integra, que opera o sistema de ônibus da capital.
A segunda estação ao lado do Residencial Mané Dendê, em Ilha Amarela. Já a terceira estação, em Pirajá, deve ser edificada onde há, atualmente, a Escola Municipal General Labatut, na Rua 8 de Novembro.
E última estação, por fim, denominada Campinas de Pirajá, será construída nas imediações da Estação Pirajá, a fim de interligar o modal com o metrô e os ônibus.
A estimativa apresentada no estudo é que, diariamente, sejam transportadas 23 mil pessoas.
A fase de estudos de viabilidade deve durar até janeiro. No mês seguinte, conforme cronograma apresentado pela Fundação Mário Leal Ferreira ao BNDES, haverá a fase de licitação e contratação.

Plano de Mobilidade
O teleférico faz parte de um conjunto de iniciativas propostas no Plano de Mobilidade (Planmob), que visa construir um pacote de iniciativas de mobilidade para Salvador em 50 anos. O texto foi apresentado em 2018, pelo ex-prefeito ACM Neto (União) e apresenta soluções de transporte, urbanismo, infraestrutura viária e cicloviária, além da construção e estruturação de modais.
A etapa do teleférico do Subúrbio é a primeira de 22,5 km previstos para funcionar até 2049 na cidade. O intuito é que o modal seja construído, futuramente, em locais como IAPI, Brotas e Pernambués, a fim de levar o equipamento às estações de metrô da Bonocô, do Retiro e do Detran.
Outros trechos do teleférico ainda podem ser edificados no Centro, no Comércio e em outros pontos do Subúrbio, que devem receber o VLT.
No Planmob, ainda há a possibilidade de integração do BRT com teleféricos nas avenidas Gal Costa e 29 de Março. Contudo, estas localidades irão abrigar o novo projeto do VLT, construído pelo governo do estado, não o BRT.
Nas justificativas apresentadas no plano, a prefeitura cita o exemplo de Medellin, na Colômbia. A cidade conta com três linhas, 10,7 km de extensão e 309 gôndolas, com equipamento integrado ao metrô.
“O sistema é adequado para o transporte de passageiros em áreas com densidade ocupacional e topografia acentuada. Tem baixa capacidade de transporte (da ordem de 3.000 passageiros/ hora/ sentido) e sua implantação requer pouca desapropriação”, diz trecho do Planmob.
No documento, a gestão municipal pondera que a implantação dos teleféricos deve ser “consolidada a partir dos Planos de Mobilidade dos Bairros que deverão ser desenvolvidos posteriormente”. O Palácio Thomé de Souza diz, ainda, que o projeto é um “um subprograma de longo prazo”.










