Cinco cães comunitários retirados de unidades do Assaí Atacadista em Lauro de Freitas e no bairro de Vila Canária, em Salvador, foram localizados em um abrigo na cidade de Aracaju, em Sergipe, e estão sendo trazidos de volta para a Bahia. O caso ganhou repercussão após questionamentos judiciais e mobilização de protetores de animais, que alegam que a remoção teria ocorrido de forma irregular.
Os animais — conhecidos como Caramelo, Lora, Negão e duas cadelas chamadas Pretinha — viviam nas proximidades das lojas e eram alimentados e acompanhados por cuidadores da comunidade. Segundo a advogada e ativista da causa animal Ana Rita Tavares, a retirada ocorreu sem aviso prévio às pessoas que acompanhavam os cães. “Os animais comunitários são reconhecidos por lei e têm o direito de permanecer no local onde são cuidados e criam vínculos de afetividade com as pessoas que assistem eles. No caso dos cães da loja de Lauro de Freitas, eles estavam ali há cerca de dez anos”, disse em entrevista à Tribuna da Bahia.
De acordo com a advogada, os animais foram transportados durante a madrugada para um abrigo em Aracaju. “Animais acostumados à liberdade foram colocados em gaiolas e levados em uma viagem longa, sem que as pessoas que cuidavam deles fossem informadas”, disse.
Uma das pessoas diretamente envolvidas no cuidado dos cães é a protetora Luciane Boaventura, que afirma acompanhar os animais há quase 11 anos, desde quando o espaço ainda funcionava como o restaurante Tchê Picanhas. Segundo ela, os cães recebiam acompanhamento regular. “Desde 2015 eu cuido desses animais. Eles são castrados, desparasitados, vacinados. São dóceis e amáveis. O que fizeram com eles foi cruel demais. Levaram para longe de mim e das pessoas que ajudavam a cuidar, para outro estado, sem sequer nos consultar”, relatou.
Após localizar os animais, Ana Rita Tavares e Luciane Boaventura viajaram até Sergipe para buscá-los. Os cães estavam no abrigo da Associação Defensora dos Animais São Francisco de Assis (ADASFA). Segundo a advogada, a instituição reconheceu a dificuldade de manter os animais no local e autorizou a devolução. “Eles estavam em situação de estresse intenso no meio de quase mil animais. A própria instituição reconheceu que não havia condições adequadas e nos entregou os cães. Estamos retornando com eles para Salvador”, disse.
A advogada afirmou ainda que o processo judicial aberto para apurar o caso continua em andamento. Segundo ela, a ação busca investigar eventuais responsabilidades pela retirada dos animais do território onde viviam. “O processo prossegue para apurar a responsabilidade cível e criminal do Assaí e dos administradores que determinaram a retirada desses animais”, afirmou.
Procurada pela Tribuna da Bahia, a rede Assaí Atacadista informou, por meio de nota, que a decisão de encaminhar os cães para uma instituição ocorreu após registros de ocorrências envolvendo clientes e colaboradores nas unidades. “Alguns cães apresentaram, ao longo do tempo, comportamentos que exigiram atenção especializada, com registros de ocorrências envolvendo clientes e colaboradores(as), incluindo um episódio de ataque a cliente que resultou em notificação do Ministério Público da Bahia”, informou.
“Os animais já recebiam cuidados básicos no local, porém, diante do histórico de ocorrências e da circulação em áreas internas da loja (em desacordo com normas sanitárias aplicáveis a estabelecimentos de venda de alimentos) e a permanência em áreas de estacionamento, com risco à sua integridade, avaliamos necessário adotar uma solução mais adequada para garantir a segurança das pessoas e o bem-estar dos próprios cães”, acrescentou o Assaí Atacadista.
Ainda de acordo com a empresa, antes do encaminhamento para a instituição em Aracaju, os animais passaram por avaliação veterinária e receberam vacinação. “Antes do encaminhamento, os animais foram vacinados e passaram por avaliação e atendimento médico-veterinário, com laudos que atestaram sua aptidão para o transporte”, informou a rede.








