{"id":15713,"date":"2026-03-04T09:53:48","date_gmt":"2026-03-04T12:53:48","guid":{"rendered":"https:\/\/salvadoracontece.com.br\/?p=15713"},"modified":"2026-03-04T09:53:49","modified_gmt":"2026-03-04T12:53:49","slug":"quem-paga-explosao-destroi-historias-e-expoe-riscos-de-predios-sem-seguro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/salvadoracontece.com.br\/index.php\/2026\/03\/04\/quem-paga-explosao-destroi-historias-e-expoe-riscos-de-predios-sem-seguro\/","title":{"rendered":"Quem paga? Explos\u00e3o destr\u00f3i hist\u00f3rias e exp\u00f5e riscos de pr\u00e9dios sem seguro"},"content":{"rendered":"<p>A semana come\u00e7ou, ontem, diferente para dezenas de fam\u00edlias que, de uma hora para outra, perderam o ch\u00e3o &#8211; literalmente. A explos\u00e3o em um apartamento destruiu parte de um pr\u00e9dio residencial no bairro do Stiep, na \u00faltima sexta-feira (27), espalhou destro\u00e7os, queimou hist\u00f3rias de vida e obrigou a retirada imediata de todos os moradores at\u00e9 que a estrutura esteja completamente segura para reocupa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Enquanto engenheiros calculam danos estruturais, cerca de 90 moradores enfrentam outra realidade devastadora: o condom\u00ednio n\u00e3o tinha seguro. Segundo o diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, \u00e9 prematuro falar sobre condena\u00e7\u00e3o total ou parcial do edif\u00edcio. \u00c0 Tribuna da Bahia, ele afirmou, ontem (2), durante visita\u00e7\u00e3o no local, que aguarda o relat\u00f3rio. \u201cO engenheiro estruturalista esteve aqui nesse fim de semana e junto com nossa equipe vamos fazer an\u00e1lise mais completa, uma defini\u00e7\u00e3o. Estamos acompanhando para laudos t\u00e9cnicos mais detalhados\u201d.<\/p>\n<p>At\u00e9 l\u00e1, ningu\u00e9m volta. De acordo com as primeiras informa\u00e7\u00f5es apuradas no local, a explos\u00e3o teria sido provocada por um botij\u00e3o de g\u00e1s dentro de um dos apartamentos. O impacto foi suficiente para destruir a unidade onde ocorreu o incidente, comprometer im\u00f3veis vizinhos e espalhar fogo e estilha\u00e7os por v\u00e1rios andares. As causas exatas ainda ser\u00e3o confirmadas por per\u00edcia t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>No meio do cen\u00e1rio de fuligem, m\u00f3veis retorcidos e paredes expostas, a dor n\u00e3o tem s\u00f3 nome e endere\u00e7o como tamb\u00e9m uma pergunta sem resposta clara: como reconstruir sem ap\u00f3lice que cubra o preju\u00edzo? Morador do pr\u00e9dio desde 1982, o servidor p\u00fablico Ant\u00f4nio Carlos Borges da Silva Junior, 49 anos, resume o impacto com a voz embargada:<\/p>\n<p>\u201cO nosso apartamento pegou fogo todo. Perdeu tudo. Queimou tudo. Minha casinha\u2026\u201d. Ele e a esposa moravam num dos im\u00f3veis atingidos pelo inc\u00eandio. Eletrodom\u00e9sticos, m\u00f3veis, fotografias, lembran\u00e7as afetivas. \u201cUma hist\u00f3ria de d\u00e9cadas consumida em minutos\u201d, lamenta.<\/p>\n<p>O pr\u00e9dio segue interditado. A esperan\u00e7a de moradores, conforme relata Ant\u00f4nio, est\u00e1 na ajuda dos poderes p\u00fablicos: apenas quatro apartamentos do pr\u00e9dio tinham seguros privados. Ant\u00f4nio afirma que, ap\u00f3s o incidente, autoridades municipais estiveram no local e se colocaram \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para auxiliar os moradores.<\/p>\n<p>Segundo ele, o prefeito sinalizou apoio \u00e0 reconstru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio, assim como o comandante-geral da Pol\u00edcia Militar. \u201cEstamos nessa esperan\u00e7a, de ver o que iremos fazer. \u201cNunca fizemos seguro por falta de comunica\u00e7\u00e3o. Ningu\u00e9m imagina que isso ia acontecer\u201d, disse Ant\u00f4nio, ainda assimilando a dimens\u00e3o da perda, enquanto relembra o epis\u00f3dio traum\u00e1tico que poderia ter acabado em uma trag\u00e9dia com mortos.<\/p>\n<p>\u201cEu estava dormindo no quarto, no apartamento onde tudo caiu em cima. Acordei com a explos\u00e3o e sa\u00ed correndo do jeito que eu estava. Depois do rescaldo, ainda voltei e peguei minha bermuda, celular, algumas coisas que deu tempo. Muita gente poderia ter morrido\u201d, contou. Segundo ele, uma moradora do andar superior s\u00f3 escapou porque, ao ouvir o barulho, correu instintivamente para o banheiro. \u201cAs pessoas acionaram o instinto de sobreviv\u00eancia\u201d.<\/p>\n<p><strong>Como diz o ditado: \u201cseguro morreu de velho\u201d; veja a import\u00e2ncia de acionar a prote\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A explos\u00e3o que deixou fam\u00edlias desalojadas n\u00e3o s\u00f3 escancarou perdas materiais e afetivas, como evidenciou uma fragilidade que muitos moradores s\u00f3 percebem quando o pior acontece: a falta de seguro do condom\u00ednio, uma prote\u00e7\u00e3o que, al\u00e9m de ser obrigat\u00f3ria por lei, pode ser a diferen\u00e7a entre reconstruir e quebrar financeiramente.<\/p>\n<p>O artigo 1.346 do C\u00f3digo Civil Brasileiro determina que todo condom\u00ednio edil\u00edcio deve contratar seguro contra risco de inc\u00eandio ou destrui\u00e7\u00e3o total ou parcial da edifica\u00e7\u00e3o. A responsabilidade pela contrata\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o \u00e9 do s\u00edndico.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, o seguro condominial cobre a estrutura do pr\u00e9dio e as \u00e1reas comuns: pilares, lajes, fachadas, escadas, garagem, elevadores e demais equipamentos coletivos. \u00c9 justamente essa parte estrutural que demanda os maiores investimentos em caso de explos\u00f5es ou inc\u00eandios. Sem ap\u00f3lice ativa, os custos de reconstru\u00e7\u00e3o tendem a recair diretamente sobre o condom\u00ednio, rateados entre os moradores.<\/p>\n<p>Segundo especialistas ouvidos pelo mercado, o custo do seguro condominial \u00e9 proporcional ao valor de mercado do pr\u00e9dio e tende a ser dilu\u00eddo entre todos os moradores. Em geral, ele gira entre 0,001% e 0,01% ao ano sobre o valor total do condom\u00ednio, conforme par\u00e2metros de seguradoras, o que significa que, em um pr\u00e9dio avaliado em R$ 10 milh\u00f5es, por exemplo, o gasto anual com a ap\u00f3lice poderia ficar da ordem de R$ 2.000 por ano. \u201cum valor pequeno diante das perdas que um sinistro pode causar\u201d, explica o corretor Carlos Augusto N\u00f3brega.<\/p>\n<p>No caso do seguro residencial individual (contratado por cada morador) os valores tamb\u00e9m costumam ser mais acess\u00edveis do que muitos imaginam. Dados de cota\u00e7\u00f5es no mercado apontam que um seguro residencial b\u00e1sico no Brasil pode variar, em m\u00e9dia, entre cerca de R$ 300 e R$ 800 por ano, dependendo do tipo de cobertura e do valor do im\u00f3vel.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre os dois tipos de ap\u00f3lices \u00e9 essencial: o seguro condominial protege o pr\u00e9dio e as \u00e1reas comuns, enquanto o seguro residencial protege os bens dentro da unidade privativa, como m\u00f3veis, eletrodom\u00e9sticos, roupas, objetos pessoais e equipamentos. Quando combinados, ambos oferecem uma camada de prote\u00e7\u00e3o muito mais ampla para moradores e gestores.<\/p>\n<p>Especialistas em seguros ressaltam que manter a ap\u00f3lice em dia \u00e9 mais do que cumprir a lei: \u00e9 garantir que, em caso de sinistro, haja respaldo financeiro para enfrentar o imprevisto sem desembolsar grandes quantias \u00e0 parte ou comprometer a vida financeira do condom\u00ednio.<\/p>\n<p><strong>\u201cNingu\u00e9m imagina que uma trag\u00e9dia dessa vai acontecer\u201d, relata morador<\/strong><\/p>\n<p>\u201cO seguro condom\u00ednio \u00e9 obrigat\u00f3rio, seu pagamento \u00e9 feito por meio das cotas e protege as \u00e1reas comuns contra riscos de inc\u00eandio, explos\u00e3o e raios, assim como indeniza preju\u00edzos causados \u00e0 estrutura f\u00edsica\u201d, afirmou David Beatham, diretor-executivo de Autom\u00f3vel, Massificados e Vida da Allianz Seguros, em entrevista publicada em ve\u00edculos especializados no setor.<\/p>\n<p>Na vis\u00e3o dele e de outros executivos do mercado, tratar o seguro como apenas mais uma despesa de condom\u00ednio, em vez de uma prote\u00e7\u00e3o fundamental do patrim\u00f4nio coletivo, \u00e9 um erro que pode custar caro quando um sinistro ocorre. A aus\u00eancia de seguro, no momento em que um inc\u00eandio ou explos\u00e3o provoca danos estruturais severos, pode deixar moradores sem amparo e obrigar o uso de recursos pr\u00f3prios ou apoio emergencial p\u00fablico para reconstru\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para moradores como Ant\u00f4nio, que perderam tudo e agora dependem de promessas de apoio externo enquanto aguardam a conclus\u00e3o de laudos t\u00e9cnicos e obras, essa realidade virou um aprendizado doloroso: \u201cningu\u00e9m imagina que uma trag\u00e9dia dessas vai acontecer. At\u00e9 que acontece\u201d, desabafa.<\/p>\n<p>Apesar da perda total, Ant\u00f4nio tenta manter a esperan\u00e7a. \u201cMas \u00e9 isso mesmo, a vida \u00e9 isso mesmo\u201d, afirmou, numa mistura de resigna\u00e7\u00e3o e f\u00e9 na reconstru\u00e7\u00e3o. E a pergunta que agora paira sobre os escombros \u00e9: quem paga a conta do recome\u00e7o?<\/p>\n<p>Kelly Borges, filha do s\u00edndico do bloco, Jos\u00e9 Carlos, est\u00e1 realizando uma vaquinha para arrecadar recursos que ajudem na reconstru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio e dos apartamentos. Todo o valor arrecadado ser\u00e1 revertido para restabelecer o lar dessas fam\u00edlias e devolver a elas a dignidade perdida. Para ajudar: doe via PIX 5976987@vakinha.com.br.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A semana come\u00e7ou, ontem, diferente para dezenas de fam\u00edlias que, de uma hora para outra, perderam o ch\u00e3o &#8211; literalmente. 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