As chuvas que atingem o Brasil ano após ano costumam revelar um mapa conhecido de vulnerabilidades: encostas ocupadas irregularmente, moradias precárias, ausência de drenagem adequada. Na Bahia, não é diferente. Mas, embora o risco seja historicamente maior nas periferias, especialistas lembram que ele pode existir também nos bairros nobres de Salvador, especialmente nas áreas onde tem morros próximos, entulhos de construção e muita ocupação sobre terrenos inclinados.
O diretor-geral da Codesal, Adriano Silveira, explica que a probabilidade de ocorrências graves em áreas mais valorizadas da cidade é considerada remota. De toda forma, não pode ser ignorada.
“Há uma possibilidade bem remota em áreas nobres. O mote do nosso trabalho é a população carente. A classe média está ligada nas coisas, já está assistida, tem um nível intelectual maior. Mas recomendamos saber olhar ao redor, ver as fragilidades possíveis, acionar a Codesal quando necessário, para que possamos criar proteção, seja estrutura de geomanta, estrutura de proteção atirantada, de solo grampeado. Existem várias tecnologias, são casos específicos”, afirmou.
Adriano Silveira ressalta, no entanto, outro alerta: as rachaduras, que são um dos principais sinais de risco e devem ser levadas a sério, independentemente da localização do imóvel. Muitas rachaduras são vistas em estacionamentos, em áreas externas, próxima de escadas.
Regiões como Vitória, Graça, Barra, Ondina, Federação, Brotas, possuem trechos construídos sobre encostas naturais ou áreas com cortes e aterros realizados ao longo das décadas. È preciso manutenção e cuidado permanente em muitos dessas regiões, onde há muros de contenção, intervenções estruturais e edificações antigas.
“No caso de rachaduras, é outra situação. É um sinalizador de risco, seja nas áreas classe média, alta ou baixa. Assim que perceber qualquer fator de risco, o ideal é discar 199 para mandarmos os engenheiros”, orientou.
Outra recomendação de e4specialistas é observar a vizinhança, morros com bananeiras, entulhos em áreas inapropriadas. Trincas em paredes, estalos incomuns na estrutura, inclinação de muros e surgimento de degraus no terreno podem indicar movimentação do solo. Em períodos de chuva intensa e acumulada, esses sinais exigem atenção imediata.
Padrão – Técnicos explicam que o risco não está diretamente relacionado ao padrão socioeconômico do bairro, mas às características geotécnicas do solo, ao volume de chuvas acumuladas e às intervenções feitas no terreno.
Apesar das regras municipais definirem que empreendimentos em áreas inclinadas precisam atender exigências específicas de licenciamento, incluindo estudos de estabilidade de taludes e sistemas de drenagem adequados, muitas construções antigas podem não ter sido submetidas aos critérios técnicos atuais.








