Quem circula pelas ruas de Salvador já se acostumou com um problema que vai muito além da poluição visual: o excesso de fios em postes de energia. Em diversos bairros da capital, o emaranhado de cabos chama atenção e acende um alerta para riscos à segurança da população.
De acordo com a Neoenergia Coelba, o cenário é consequência direta do crescimento de empresas irregulares de telefonia e internet, que já representam mais da metade dos provedores que atuam na Bahia. Sem autorização da distribuidora, essas empresas instalam cabos de forma clandestina, desrespeitando normas técnicas e de segurança.
Apesar de a legislação federal atribuir às empresas de telecomunicações a responsabilidade pela manutenção dos cabos, a Coelba afirma que tem intensificado as ações de fiscalização e retirada desse material. Em 2025, cerca de 80 toneladas de fios irregulares foram removidas em Salvador — o maior volume já registrado.
Somente nos dois primeiros meses de 2026, mais de 12 toneladas já foram retiradas, o que indica a continuidade e ampliação das operações na cidade. A ação, conhecida como “Operação Gatonet”, conta com o apoio da Prefeitura de Salvador.
Segundo a distribuidora, o chamado “gatonet” representa um risco direto à população. Isso porque os equipamentos utilizados não seguem os padrões exigidos e são instalados fora das faixas adequadas nos postes.
Entre os principais perigos estão a possibilidade de choques elétricos, incêndios e até interrupções no fornecimento de energia. Em áreas com grande circulação de pedestres e veículos, o risco de acidentes se torna ainda maior, especialmente quando há fios soltos ou mal fixados.
Moradores de diferentes bairros da capital relatam preocupação constante com a situação. Além da insegurança, o problema também impacta negativamente a paisagem urbana, prejudicando inclusive regiões turísticas da cidade.
A Coelba reforça que o combate à irregularidade depende também da colaboração da população. A orientação é contratar apenas provedores regularizados, que possuem autorização para compartilhar a estrutura dos postes.
Para facilitar essa verificação, a empresa disponibilizou um portal com a lista de operadoras autorizadas na Bahia. Caso a prestadora não esteja na relação, ela não possui contrato de compartilhamento e, portanto, atua de forma irregular.








