Quem chega ao Porto da Barra dá de cara com um dos cenários mais bonitos da cidade. Água clara, mar aparentemente tranquilo e muita gente aproveitando o dia. A impressão é de segurança. Mas, na prática, não é bem assim.
Quem frequenta a praia com frequência já conhece o comportamento do mar. A corrente muda, o fundo desaparece de repente e, quando o movimento aumenta, qualquer descuido pode virar um susto.
Esse tipo de situação não é novidade. Acontece há anos, principalmente quando a praia está cheia. Sem sinalização dentro da água, o banhista entra sem saber até onde pode ir com segurança. Não existe limite visível. Não existe orientação clara.
Diante desse cenário, a Prefeitura de Salvador publicou, por meio da Secretaria Municipal de Gestão, um edital de licitação para implantar um sistema de sinalização náutica no Porto da Barra. A abertura das propostas está marcada para o dia 30 de março, às 9h.
O edital prevê a contratação de uma empresa para fornecer, instalar e manter equipamentos de sinalização no mar. A ideia é organizar melhor o uso do espaço e aumentar a segurança de quem entra na água.
Entre os itens previstos estão boias de demarcação, balizadores e outros dispositivos visuais que vão indicar até onde o banho é seguro. O documento também exige que esses equipamentos resistam às condições da Baía de Todos-os-Santos, como corrente, vento e variação de maré.
A sinalização também precisa ser bem visível, tanto para quem está na água quanto para embarcações. A instalação será feita em pontos estratégicos, justamente para evitar a mistura de banhistas com barcos e atividades esportivas.
Hoje, essa separação não existe. O edital também prevê manutenção contínua do sistema, para garantir que tudo funcione mesmo com o desgaste causado pelo mar.
Os números ajudam a entender a gravidade da situação. O Brasil registra cerca de 5,7 mil mortes por afogamento por ano, segundo a Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático. São mais de 15 por dia. Na Bahia, os bombeiros fazem resgates com frequência, principalmente em praias cheias como as de Salvador.
Quem trabalha na praia vê isso de perto.
“Quando enche, a gente já fica olhando. Sempre aparece alguém que entra demais e não consegue voltar”, conta o ambulante José Carlos, que trabalha há mais de dez anos no local.
A comerciante Maria das Dores já presenciou momentos de desespero. “Já vi gente pedindo ajuda, gente sendo puxada pela corrente. É muito rápido”, diz.
A estudante Ana Luísa também passou por um susto. “Eu estava tranquila e, de repente, não tinha mais chão. Fiquei sem saber o que fazer”, lembra.
Para quem vem de fora, a falta de orientação chama atenção. “A gente não conhece o mar daqui. Se tivesse alguma marcação, ajudava muito”, afirma o turista paulista Rafael Mendes.
Um salva-vidas do posto do Porto da Barra, que preferiu não ter o nome divulgado, explica que o risco não está só no mar, mas no conjunto. “Aqui tem muita gente, corrente, mudança de fundo e embarcação passando perto. Sem organização, o perigo aumenta”, diz.
Hoje, as boias que existem na área têm função ambiental e não servem para organizar o banho. No fim das contas, todo mundo divide o mesmo espaço.
A proposta do edital é justamente mudar isso. Criar limites visíveis dentro da água e tornar o banho mais seguro.
Se funcionar, a ideia pode ser levada para outras praias da cidade, como o Farol da Barra, a Praia de Ondina e o Rio Vermelho, que também recebem grande número de pessoas.








